terça-feira, fevereiro 01, 2011



toca-me com a ponta do indicador apenas...
toca-me os lábios, pede-me o silêncio ensurdecedor que me consome de dentro para fora...

...

“Os amores são para ser vividos, sonhá-los não basta. São para se consumir, até que morram, talvez, mas sem medo, com ganas, com desejo, com vontade, como se não houvesse amanhã, porque, em abono da verdade, ninguém pode saber se amanhã, (…) ainda cá estaremos, eu, tu, qualquer uma das pessoas que amamos.”


Margarida Rebelo Pinto

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quinta-feira, julho 15, 2010


O medo gela-me o peito, as palavras afogam-se na doce ternura do teu olhar...
O que fazer quando todas as fibras do meu ser me gritam "salta!" mas o medo de te perder é tanto que não consigo sequer dizer que te quero?

Se olhares para os meus olhos com atenção, verás um aquário de água salgada onde nadam as memórias... onde nadam as esperanças de um dia poder voltar a dizer "nós" e ser e estar contigo... perco-me no teu olhar quando finges que não vês e, naquele pequeno instante apenas, em que não existem barreiras sinto-me eu mesma e vejo em ti a força de um homem bom, do homem que quero para mim, para partilhar a vida...


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sábado, outubro 17, 2009


Sonhei contigo hoje...
Pegaste-me na mão e mostraste-me os recantos daquela pequena aldeia escondida do mundo, onde nem o tempo tem as mesmas regras... E quando me pegaste a mão tudo ficou simples... perdi o medo de estar, o medo de sentir e, naquele instante, fui e estive e senti e fui tua... Deste-me bagas vermelhas, pretas e verdes e confiei em ti... Subimos às árvores como crianças traquinas e aninhámo-nos nos teus lugares secretos enquanto lá fora o tempo corria danado à nossa procura...
Em teu riso encontrei-me, no teu sorriso achei a minha casa... mas não posso nem eu sei porque não... apenas sei que ela conseguiu o impossível, ter-te e forçar-te a partir enquanto eu daria o meu mundo só para te poder tocar.



Sonhei contigo hoje...
Foi um sonho doce em que demos as mãos e o mundo foi nosso.

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sábado, agosto 08, 2009

E mesmo quando a vida te dá um chuto no rabo, ao menos está-te a empurrar para a frente =)
Vida nova, mundo novo para descobrir... Será que finalmente encontrarei alguém à minha altura? um novo parceiro de descobertas, de aventuras e fantasias, alguém que seja capaz de levantar voo para fora desta vida miserável feita de olhares frios...

Alguém para descobrir de novo o calor do sol e o toque suave da pele.

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sexta-feira, maio 15, 2009


Não tenho respostas para te dar... procuro-as em mim há tanto sem sucesso e nada encontro...
Passam-se os dias, passam-se meses, anos, mas as respostas não surgem e o caminho estreita-se até não ser mais que uma ínfima linha que apenas conheço de cor...
Cansei de explicar, de tentar explicar, sem que tu compreendas o que é estar sozinho mesmo que rodeado de uma multidão, isolado mesmo perto daqueles que nos amam...

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terça-feira, dezembro 09, 2008

Alguém me ouviu (mantém-te firme)


Não me resta nada, sinto não ter forças para lutar
É como morrer de sede no meio do mar e afogar
Sinto-me isolado com tanta gente à minha volta
Vocês não ouvem o grito da minha revolta
Choro a rir, isto é mais forte do que pensei
Por dentro sou um mendigo que aparenta ser um rei
Não sei do que fujo, a esperança pouca me resta
É triste ser tão novo e já achar que a vida não presta
As pernas tremem, o tempo passa, sinto cansaço
O vento sopra, ao espelho vejo o fracasso
O dia amanhece, algo me diz para ter cuidado
Vagueio sem destino nem sei se estou acordado
O sorriso escasseia, hoje a tristeza é rainha
Não sei se a alma existe mas sei que alguém feriu a minha
Às vezes penso se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz...

Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
E não sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E vou ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E vou ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Não há dia que não pergunte a Deus porque nasci
Eu não pedi, alguém me diga o que faço aqui
Se dependesse de mim teria ficado onde estava
Onde não pensava, não existia e não chorava
Sou prisioneiro de mim próprio, o meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo demais comigo
Olho para os lados, não vejo ninguém para me ajudar
Um ombro para me apoiar, um sorriso para me animar
Quem sou eu? Para onde vou? Donde vim?
Alguém me diga porque me sinto assim
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê
Sinto lágrimas nos meus olhos mas ninguém as vê
Estou farto de mim, farto daquilo que sou, farto daquilo que penso
Mostrem-me a saída deste abismo imenso
Pergunto-me se algum dia serei feliz
Enquanto ouiço uma voz dentro de mim que me diz...

Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
E não sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E vou ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E vou ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo


Mariza & Boss AC


in Campanha Encontrar+se
Campanha anti-estigma / pró saúde mental
Movimento UPA - Unidos para Ajudar

http://www.encontrarse.pt/pages/homepage.php

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quinta-feira, janeiro 10, 2008






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quarta-feira, outubro 10, 2007




Poema e foto de Casimiro de Brito

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quinta-feira, setembro 20, 2007


"...De início, sofria terrivelmente. Acontecia-me ter vontade de contar muitas coisas e às vezes até o fazia, mas ninguém me escutava com atenção. Pelo contrário, até notava que aquilo que mais levava a peito não interessava nada aos outros. Nos meus raros momentos de sinceridade, e exactamente porque tinha aprendido a calar-me por causa de tanto sofrimento, exigia que quem me ouvia estivesse muito atento..."
In O diário de Nina Nina Lugovskaia

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domingo, junho 10, 2007


Vejo-te no fumo, vejo-te na luz do Sol poente... Vejo-te... vejo-te mas não te tenho minha...
Queria abrir-te o meu peito, mostrar-te a luz que brilha por ti e me mantém acordada nas noites em que sonho dias que não posso ter...
Afogar o meu medo nas tuas lágrimas... afogar o mundo que nos prende no riso de sermos, sentirmos e estarmos, em uníssono como se não houvesse tempo nem tempos...
Matar a minha dor com a tua... beijar a tua pele como se fosse a tua alma, os teus dedos de sangue e lágrimas no meu peito feito água e sal...

Quando te olho a mente divaga, perde-se e reencontra-se sem nunca sair do sítio, toco-te no pensamento e desfaço-me em lágrimas que já não consigo conter...

Afasto-te sem querer, com medo que as minhas lágrimas te queimem a pele como me queimam a alma...
Espero-te na porta do meu coração com a chave ao peito mas tu não vens... não vens porque te fiz doer a minha dor... não vens porque te fiz pensar, sem querer, que a porta estava fechada...
Não percebo o medo, a angústia de não te ter se estás do meu lado, talvez até com a chave do teu num sítio onde a descobriria não fosse a dor que me cega sem razão...
Quero-te sem te poder querer, pelo mundo, pelo que ainda carregas dentro, pelo que um dia me magoaram...

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segunda-feira, maio 14, 2007

O amor, quando se revela...


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...


Fernando Pessoa

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quinta-feira, maio 03, 2007


Procuro os sinais... procuro a hora e o minuto em que te acharei minha... Procuro os versos que cantem o espelho do teu sorriso na minha alma...
Busco, em vão, o lugar do tempo e do espaço em que somos... Os teus braços nos meus braços, o teu peito no meu peito... os teus olhos na minha essência...

Tudo me foge! As palavras, os gestos, os olhares... tudo aquilo que sabia meu, espalhado pelo chão que é este meu ser em busca do teu ser, para que um dia possas ser minha na casa do meu ser...


Medo de te tocar... medo de te amar... medo de ser quem sou, o que sou, não me sabendo o suficiente para ser amada de volta por ti...
Medo de não controlar o querer-te para mim... medo de te sufocar no medo que me sufoca a mim, que me enche e preenche e que me rouba a voz.

Ver-te faz-me sonhar com o poder chamar-te parte de mim...mas sei que não podes, que não podemos porque não é isso que está escrito no sangue que corre nas tuas veias...



Ontem vi uma rosa vermelha, que ecoava o teu nome em mim, que me pedia para ser tua... E invejei-a secretamente... invejei-a por aquilo que ela podia ser e eu não... invejei-a por um dia poder ela cantar só para ti as canções que nunca ouvi, nem ouvirei, porque estarás já fora do meu peito...


Perdida no tempo, perdida no medo, perdida no tempo em que me achava eu... em que me achava una comigo mesma, sem estar afogada nestes medos que me consomem sem que o choro pare de correr por cima das chagas, chagas que não sou capaz de sarar porque não querer... perdida do mundo que me atira para longe de mim, para longe de ti...
Olhas para mim e fico sem chão, sem certezas que me ajudem a lutar contra a solidão que a vida me impôs e contra a qual a minha voz ficou sem saber gritar.
Queria que a vida fosse diferente, que o mundo fosse diferente, um mundo onde te pudesse amar sem ter medo de olhar para trás, por cima do ombro, um mundo diferente em que te pudesse amar e tu me pudesses amar de volta sem vontade de me perder.


Passam por mim caras que julgo reconhecer... mas todas são iguais, em todas há o vazio de saberem que não são capazes de amar quem os ama de volta.

Olho em redor em busca dos teus olhos, mas não te vejo... nem sequer nos rostos que por mim passam e que carregam a tristeza que sei tua mas que não consigo ver...


3h à espera...

Corroios


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sábado, março 24, 2007


Não fosse a língua morta... não fosse a vida que não pára sem nunca correr... não fosse a dor que nos morde e arrelia... não fosse o passar das estações...
Não fosse isto a vida e serias somente meu, sem dor, sem mágoa, apenas o nirvana de quem sabe ter encontrado o seu lugar.
Não fosse o gorgolejar do riso de uma criança, não fosse a frescura da água cristalina, não fosse o sabor das árvores, do campo, do mar... não fosse isto a vida e não sairíamos do mesmo sítio, não chegaríamos a lado nenhum, não amaríamos com o fogo de mil sóis, não sentiríamos o prazer do cair da chuva e estaríamos mortos por dentro.

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Ele tem razão, sei agora que tenho de fazer o luto, de chorar por ti na campa do meu peito, por aquilo que nunca foste nem nunca serás.
O tempo passa por mim mas não és tu quem encontro quando entro em casa, não és tu quem me aquece o peito e a alma com carícias...
Que vida para além de ti...? em ti já nada é vivo, já nada clama pelo meu sangue carmim e pelo meu peito... que vida para além de ti perguntas... que vida em ti, pergunto eu...


Lágrimas? gastei-as eu aos milhares... dias? meses? esses passam e continuo aqui, prostrada diante daquilo que quis ser em ti, prostrada diante daquilo que fomos em mim...
O choro já não é visível, as lágrimas já não correm... morreste em mim no que fui, ausentaste-te da tua própria carne como quem foge a um leproso...
O perdão? esse dei-to apenas a ti pelo que te senti em mim... Chorar mais um pouco talvez, sobre as cinzas de onde nunca renascerá o que apenas morte tinha em si.

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segunda-feira, janeiro 16, 2006


Apetece-me beijar-te... acariciar teu corpo inteiro com um simples beijo na alma. Mas o medo é mais que muito... o medo que nos gela por dentro sem sabermos o porquê. Preencher-te todo num simples gesto, uma carícia de dentro para fora, num sonho qualquer talvez... perder-me em ti como se perde um louco no vasto lume que é o mundo. Fechar-te os olhos... para adormeceres para o mundo, acordares para mim, naquele pequeno recanto da memória que escondemos de nós mesmos e para onde enviamos tudo aquilo que nos é querido, tudo aquilo que amamos, aquilo que faz de nós seres realmente vivos e pulsantes como o próprio coração da terra, da Mãe Natureza.
Num sonho talvez... onde no meu coração cabem todas as pessoas que algum dia amei e me fizeram senão mal... num sonho talvez... em que as lágrimas são rio que banha a nossa alma, onde nos lavamos do pecado de não amar sem limites, sem a mesquinhez de não nos sabermos dar por inteiro a quem sabemos, no fundo de tudo quanto somos, fomos e seremos, amar, àqueles que num olhar, num simples toque ocasional sabemos que sempre foram e serão nossos mas a quem não abrimos os braços e o coração com o eterno medo de sermos magoados, de não sermos correspondidos...

...

Olho a minha cama vazia como olho o meu peito, aberto em chaga, por saber que o amor não existe, que existe apenas a dor de nos perdermos nos braços de quem nunca nos amou, a do dor de nunca nos termos perdido nos braços de quem sabiamos (tão certo como o dia se seguir à noite, o silêncio se seguir a um coração partir em mil pedaços) nos pertencer.
Num sonho talvez... quando a morte vier reclamar meu corpo frio em cinza ardido.

...

Continuo em busca... por alguém que me faça ascender toda, peito e alma, àquele lugar, àquele pequeno espaço etéreo em que o coração se abre e se espalha e não são precisas mais palavras para definir aquilo que não tem definição, onde basta um olhar para se sentir amado, para se sentir completo, unido com tudo quanto algum dia terá alma e vida e sangue. Continuo em busca... do amor que sei não existir senão nos sonhos mais loucos da Humanidade... busco-te, talvez, alma minha, perdida no espaço que não sou eu ... não te encontro... não te sei sequer perder...

...

Oiço a chuva, crepitando na minha janela e sinto o teu peito no meu partilhando num abraço terno a chuva que cai, a luz da lua que me banha inteira... dançamos, num sonho louco, não mais que louco, na chuva que são lágrimas que caem do meu peito, do meu corpo aberto em espiral, espalhado... a chuva cai... não te vejo... as lágrimas de chuva gelam-me agora o corpo, perdido do teu, sem o teu calor para manter os fantasmas de outra vida afastados do meu sono. Talvez um dia... talvez um beijo... talvez uma carícia... talvez um sinal... talvez abramos os dois o peito e sejamos um... sejamos não mais que um símbolo inscrito numa pedra milenar, pilar do mundo.

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A chuva aumenta, quebram-se-me as veias, gelo inteira, sozinha e abandonada... Como explicar as saudades de algo que nunca nesta vida sequer me tocou... como explicar este aperto que sinto quando não me tocas... como explicar? como explicar a mim, ao mundo, a ti, que toda eu ardo em fulgor quando estás em mim, sem sequer te aperceberes disso? E a chuva continua, batendo sempre à cadência certa, acelerada, no meu peito, no meu corpo, no meu ser... A chuva, o vento, o mar, todos me negam, todas me expulsam de si mesmos com a veemência de quem não nos vê nem nos sente, apenas sabe que algo lhes não pertence.
A chuva cai... não sei já onde, não sei já porquê... o vento conspira... tudo me sabe exterior e não pertencente.

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O frio, que vem de dentro, dá-me vontade de ir para a rua, para o vento e gritar. Gritar o que está preso no meu peito e não se conhece em palavras.
O frio gela-me tudo excepto o peito que crepita e arde e não me deixa descansar, não me deixa dormir senão para sonhar, sonhos loucos de quem não se encontra.

...

Como dizer... como mostrar sem mal entendidos, sem fugas precipitadas, que necessito dos teus braços em volta do meu corpo, os teus lábios na minha alma para este rodopio interno parar e me sentir eu mesma, despida de quem julgam que sou? Perder-me em ti... talvez um belo dia ou quem sabe um instante apenas em que as flores terão um cheiro mais refinado, os pássaros um canto mais doce...

A tinta esgota-se, no papel infindável em que escrevo, as palavras em que digo quem sou e o que sinto esgotam-se, escorregam-me por entre os dedos sem nunca conseguir dizer quem sou ou o que sinto e o meu peito grita em silêncio a dor de nunca me poder mostrar inteira, apenas como pedaços fragmentados de quem um dia poderia ter sido, não fosse a vida e a morte terem atravessado o seu caminho e coração.

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Tuas doces mãos percorrem o meu corpo como se de néctar divino se tratasse... teus lábios que toco nos meus sonhos preenchem-me como Alma do Mundo que pulsa e vive dentro de cada um de nós...
Busco ainda, no mundo, em mim, em ti, nos outros, o amor que me escapa por entre os dedos, areia e cinza e sangue do meu peito aberto em ferida por viver sem a sua doce candura, sem o abraço, o aperto apaixonado, sem o fogo que nos consome inteiros nesse mesmo amor...

...

É sempre tudo tão difícil, sempre tudo tão complicado, sempre cheio dos teus tabús que nos mentem, que nos fazem negar a carne e o sangue de que somos feitos, que nos faz negar todo o amor que temos para dar aos que nos são próximos, àqueles cuja ausência nos traz o frio, a dor de ser incompleto e de estar só...

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segunda-feira, novembro 28, 2005


Sinto-te a meu lado, inerte e frio, como se despejado de toda a vida que um dia foi tua, nossa, em paixão ardente que nos consumia inteiros. De nós dois não sei já qual se foi, qual passou para outra vida sem o "nós"...
Perdemo-nos um do outro pelo caminho, pelas ruelas sujas e putrefactas da vida, perdemo-nos daquilo que um dia fomos, daquilo que permanece ainda e somente como centelha de uma memória ardida em nós.

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Dispo-me, num último extase, lenta e cuidadosamente. Sei que sentirei falta da suave carícia da roupa tocando-me. Sentirei falta do chilrear dos pequenos pássaros que nascem defronte da minha pequena janela para o mundo.
A banheira está fria, envolve-me no seu seio, lembra-me o meu próprio corpo... olho, para o lado, para a lâmina que brilha como uma estrela caída do céu esperando-me como a um amante... Pego, pelo cabo macio, naquele objecto que é mais que ele próprio, naquele objecto que me pede sangue, o sangue quente que me corre nas veias, o sangue que me percorre a mil à hora na ânsia de sair de dentro.
Passo a língua ao longo da sua lâmina, corto-me e saboreio-me, arde e liberta-me... A dor percorre-me a espinha num espasmo de prazer. Lábios, pescoço, peito... acaricia-me inteira... inclino-me para a frente, sem medo, sem terror nem paixão e ela penetra-me peito adentro, coração adentro, alma adentro. Expludo... de prazer? de terror? O sangue, quente, pretencioso, vaidoso, corre a passos largos de mim como se nunca tivesse sido meu algum dia.


Acordo... não sabendo se o sonho é realidade se a realidade é sonho... A paz... parece que o calor desapareceu. De repente, as sirenes...
Não percebo o que se passa...

A parede branca à minha frente move-se, começo a ouvir estranhos sons. Não estava eu deitada na minha cama?

Tudo pára...

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sábado, novembro 26, 2005

By Luiz Royo

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sexta-feira, novembro 25, 2005


Adeus...
Já gastámos as palavras... já gastámos os gestos, os carinhos, os olhares...
Tenho medo... todo o mundo se abre para me abraçar. Um rodopio de mil cores, mil rostos me rodeiam, que me tocam todos os dias ao de leve como a asa de um anjo. Alguns ferem, queimam e me quebram com feitiços e ladaínhas... os outros, aqueles que carrego dentro no coração transformado ventre, acariciando-me, mordiscam-me a carne e a alma como se de um enlevo se tratasse. Alturas há em que, o desejo, aquele que de mais profundo existe, me dilacera a alma e me leva a querer deglutí-los (aqueles que povoam por dentro sem o saber), devorá-los carne e espírito, ser una e indivisa...

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